3. Critérios de Avaliação e Metodologias de
Avaliação dos Projetos
Abordagem aos aspetos comuns às decisões de investimento,
comparação dos principais critérios de avaliação de projetos que sustentam a
sua aprovação ou rejeição e identificação das duas metodologias de avaliação de
projetos de investimento.
Decisões de investimentos: cash-flow como medida de
resultados futuros do investimento: a preços
constantes e a preços correntes.
Investimentos e Classificações de Projetos
Investimento é toda a aplicação de fundos em ativos reais
ou financeiros com o objetivo de obter um excedente que renumere adequadamente
o capital investido, num prazo mais ou menos longo.
Longo prazo: Investimento
Curto prazo: Especulação
Investimentos Financeiros:
Abrangem aplicações
efetuadas tanto por indivíduos como por organizações em que a responsabilidade
pela gestão não está presente: depósito bancário, compra de obrigações ou
aquisição de ações.
Investimentos Reais:
Em edifícios, equipamentos,
viaturas, etc.
Existe uma dimensão de
controlo ou de capacidade de gestão que influencia decisivamente a sua
rendibilidade futura.
Um
projeto de investimento visa determinar a viabilidade
económica da afetação de recursos escassos qualquer que seja a capacidade da
empresa promotora em optar por um investimento real, que deverá gerar um
rendimento compensador.
A diferente dimensão e
complexidade dos investimentos sugerem diferentes níveis de envolvimento da
hierarquia da empresa e de apoio exterior especializado (fotocopiadora vs.
lançamento de novo produto).
Classificação dos Projetos
Tendo em conta o grau de importância e a estrutura a
envolver na sua avaliação:
A.
Categoria dos recursos utilizados
B.
Dimensão
C.
Níveis de inovação
D.
Relação com o risco associado ao investimento
E.
Efeitos recíprocos de diferentes oportunidades
de investimento
F.
Sequência da série de cash-flows
Categoria dos recursos utilizados:
Os investimentos podem ser de natureza financeira, humana
e patrimonial.
Em projetos de raiz a situação mais típica consiste na
utilização de recursos financeiros, de fácil medição.
No entanto para empresas já existentes, outros recursos
internos podem ser aplicados, como por exemplo: mão-de-obra especializada
(Recursos humanos), um edifício devoluto (Recursos Patrimoniais), sendo a sua
medição a mais subjetiva.
Na sua contabilização deve usar-se o custo de
oportunidade do capital, o valor da melhor utilização desse recurso.
Explo:
Se o novo investimento utilizar uma máquina da empresa,
com um determinado valor de uso e um valor comercial diferente, o mais elevado
dos dois valores deve ser imputado ao projeto.
Dimensão:
Grandes,
quando são os que influenciam o nível geral dos preços (no sentido da sua
redução devido ao acréscimo da oferta).
Obrigam a uma análise estratégica mais elaborada,
incluindo a ponderação da reação e eventual retaliação da concorrência.
Pequenos,
quando não influenciam o nível geral dos preços.
Após o investimento, um erro frequente consiste em
assumir que o preço a praticar na venda dos produtos ou serviços será igual ao
anteriormente praticado no mercado.
Nível de inovação:
Autónomos,
quando resultam de uma diferenciação tecnológica (novo processo produtivo,
etc.), comercial (lançamento de novos produtos, conquista de novos mercados,
etc.) ou outra que garanta a competitividade da empresa.
Induzidos,
quando visam o aproveitamento de fatores externos favoráveis, tais como
benefícios financeiros, subsídios à aquisição de determinados fatores
produtivos, flutuação de preços das matérias-primas, etc.
A natureza conjuntural destes benefícios torna os
projetos induzidos mais vulneráveis.
Relação com o risco associado ao investimento:
Distingue 4 tipos
de investimento de acordo com o nível de risco específico e envolvimento
dos diferentes órgãos da empresa.
Investimento de
substituição (níveis de risco reduzidos), quando se destinam a repor a
capacidade instalada de equipamentos que chegaram ao fim da sua vida útil
(determinada pela capacidade física da realização da sua função) ou da sua vida
económica (determinada pelo momento em que o agravamento dos custos de
manutenção e declínio do valor de troca tornam mais vantajosa a aquisição de um
equipamento novo).
Investimento de
expansão, que visa dotar a empresa de maior capacidade permanente de
produção.
Estes investimentos estão associados a iniciativas de
penetração ou de conquistas de novos mercados (maior risco do que investimento
de substituição).
Em alternativa, as empresas poderão intensificar a
utilização da capacidade instalada recorrendo a soluções como o recurso a horas
extraordinárias ou tempos adicionais de trabalho.
Investimentos de
inovação ou modernização, prossupõem o fabrico de novos produtos, a
introdução de novas tecnologias e/ou conquistas de novos mercados.
Exigem participação das várias funções da empresa,
nomeadamente comerciais, financeiras, produtivas, etc.
Podem condicionar fortemente o futuro da empresa, pelo
que exigem uma avaliação muito criteriosa pois “enfrentam” tecnologias não
dominadas, nova dimensão do mercado no futuro (indícios de incerteza).
Investimentos
estratégicos pretendem servir de suporto e apoio às restantes atividades da
empresa, pelo que não são facilmente avaliados numa ótica de rendabilidade.
Explo:
Instalação de uma central de tratamento de resíduos
representa despesa sem nenhuma contrapartida em termos de receita.
Criação de mercado que permitam obter rendimentos
decorrentes de investimentos com implicação ambientais (mercado para emissões
de dióxido de carbono, tendo em conta o protocolo de Quioto),
Utilizado na prespetiva do impato de um projeto para o
futuro desenvolvimento da empresa, apesar de não apresentarem viabilidade
económica permitem à empresa adquirir tecnologia ou entrar em mercados com
elevado potencial de desenvolvimento, facultando a opção da realização futura
de negócios lucrativos.
Efeitos recíprocos
de diferentes oportunidades de investimento como investimento incompatível ou mutuamente exclusivo que são aqueles
que não podem coexistir e em que a realização de um anula totalmente os
cash-flow do outro e investimentos
compatíveis que ocorrem em simultâneo e repartem-se da seguinte forma:
Investimentos
complementares: são aqueles que requerem análise conjunta e a realização de
um facilita a do outro (a existência de um contribui para o acréscimo de
receitas do outro).
Investimentos substitutos ou
concorrentes: requerem análise conjunta. A realização de uma dificulta a da
outra e a existência de uma contribui para o acréscimo das despesas das outras.
Sequência da série
de cash-flows (Fluxo de caixa), investimentos
convencionais ou investimentos não
convencionais.
Na generalidade, os projetos de investimento iniciam-se
com a fase inicial dos cash-flows negativos (que decorre durante 1 ou mais
períodos) e é precedida por um ou mais períodos de cash-flows positivos (convencional):
O não convencional
pode sofrer mais que uma variação no sinal dos cash-flow gerados.
Os cash-flow negativos ao longo da vida do projeto de
investimento podem ser motivados por inúmeros fatores: necessidade de realizar
grandes reparações de substituição de equipamentos ou a realização de
investimentos de expansão da capacidade da empresa.
Convenções típicas em projetos de investimento:
Análise Custo –
Benefício:
Relevante quer na prespetiva do investidor com fins
lucrativos, quer na eficiência da sociedade.
Os Benefícios deverão ser maiores que os custos
associados à realização de um estudo económico, trabalho de especialistas,
tempo ocupado, etc.
Quais são os
benefícios de um processo de análise?
Racionalidade económica
da tomada de decisão de investimento, permitindo rejeitar os projetos que
não criem valor e selecionar o melhor de entre os projetos alternativos.
Redução do risco
associado ao investimento, face ao peso dos custos suportados com a elaboração
e a avaliação do projeto de investimento.
Existe um conjunto de convenções ou simplificações destinadas a reduzir esses custos e a
facultar uma linguagem comum entre analistas e decisores, tais como:
1.
O ano é a unidade de tempo relevante,
2.
Os cash-flow (+ ou -), relativos a cada período,
são tratados como se fossem gerados exatamente no fim do período, não obstante
serem obtidos de forma contínua ao longo do período,
3.
Duração limitada no tempo (5 a 7 anos); com uma vida útil delimitada pela capacidade
física de realização da sua função, vida
económica delimitada pelo momento em que o agravamento dos custos de
manutenção e declínio do valor de troca tornam mais vantajosa a aquisição de um
equipamento novo e vida tecnológica
delimitada pelo momento em que o produto subjacente deixa de ser vendável.
4.
O valor residual do investimento registado no
último período do projeto representa o valor contabilístico do ativo ou o valor
estimado de mercado no caso de a atividade cessar naquele período (líquidos de
efeitos fiscais ou de outras despesas a suportar).
5.
Valor de continuação que corresponde ao valor
atual do montante de todos os cash-flows posteriores a esse período, na
hipótese mais frequente de a exploração continuar.
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